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Kings of Leon troca guitarras e letras de sexo por rock épico com reflexões sobre o tempo

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Kings of Leon troca guitarras e letras de sexo por rock épico com reflexões sobre o tempo


Quem já foi em show do Kings of Leon e não saiu de lá reclamando, bom sujeito não é. A banda americana virou nome forte da geração 2000 do rock sendo tecnicamente impecável no estúdio e nos palcos. Costuma, no entanto, entregar performances sem tanta vontade em festivais. "Gente, acho que o vocalista sorriu", ouviu-se certa vez na plateia do Lollapalooza.

Vinte anos depois, o desdém e a amargura de sempre parecem fazer muito mais sentido, acompanhada pelos arranjos e temáticas deste oitavo álbum. "When You See Yourself" reverbera com maturidade (essa palavra...) as duas fases anteriores da banda:

  • "Claire And Eddie", lenta e sofrida, tem algo do country rock de garagem do começo;
  • "Golden Restless Age" é indicada aos fãs da faceta mainstream, quase Bon Jovi.

Mas eles vão além disso. O álbum marca uma terceira era do Kings of Leon, menos direta e hedonista, e um pouco mais reflexiva e ousada musicalmente.

Pronto desde o fim de 2019, "When You See Yourself" é mais um álbum de rock de estádio lançado em uma era em que não há rock de estádio, por razões pandêmicas. Mas diferentemente do som festivo e descomplicado dos Foo Fighters, o Kings of Leon complica o som e as letras. E isso faz bem ao som deles.

O rock de FM direto e com cantadas baratas, ouvido no bom álbum anterior de 2016, dá lugar a um rock épico cheio de reflexões sobre a passagem do tempo. É assim no refrão colante (daqueles que poucos roqueiros em atividade sabem fazer) de "Time in Disguise".

"Feche os olhos e o que você vê? É um homem ou uma máquina mascarada? É o mundo ao qual pertenço ou apenas uma sombra de luz? É só o tempo disfarçado", canta Caleb.

As canções não são mais sempre ancoradas na voz afinada e afiada de Caleb Followill. As letras vão mais além de sexo "pegando fogo" ou outra pegação qualquer.
"Stormy Weather", por exemplo, é comandada pelo baixo de Jared Followill. Começa falando de uma "escapada" às quatro da manhã, mas termina com um olho no relógio: "O tempo longe daqui nunca pareceu tão longo / Encontre sua lembrança e volte para casa".

“Sinto que começamos a fazer coisas que, no início de nossa carreira, eu teria sido contra”, disse Caleb em entrevista recente. "Agora, temos músicas em que minha guitarra não tem destaque. Ainda estamos tentando encontrar maneiras de experimentar."

Os vocais de Caleb também servem para baladas potentes do finalzinho de álbum. "Supermarket" foi escrita em 2009, quando o vocalista passou por problemas com alcoolismo e a banda quase se separou. Ela e "Fairytale" meio que se completam.

"E é uma longa e difícil estrada até que eu possa chegar até você / E eu estarei aguentando, esperando que o sol brilhe", canta ele, em "Supermarket". "Mal posso esperar para ver o que você encontrará / E o sol encontrará seu lugar para brilhar", conclui, com mais otimismo, em "Fairytale".

Sóbrios e sem tantas brigas em família (o quarteto tem três irmãos e um primo), o Kings of Leon agora tem tempo e cabeça para novas viagens. Em vez de usar alguém, querem usar outros instrumentos e outras ideias.


 


 

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