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Paulo Miklos celebra a comunhão a dois na fluência pop de álbum solo

♪ Qualquer comparação entre o quarto álbum solo de Paulo Miklos – Do amor não vai sobrar ninguém, disponível desde 27 de maio nos aplicativos de música, com capa assinada pelo artista plástico Stephan Doitschinoff – e o antológico antecessor A gente mora no agora (2017) precisa levar em conta que, no disco editado há cinco anos, havia um diretor artístico, Marcus Preto, que promoveu parcerias do compositor paulistano com nomes como Céu, Erasmo Carlos, Guilherme Arantes, Silva e Tim Bernardes.

A abertura do leque de parceiros renovou o cancioneiro autoral de Miklos, que havia saído da banda Titãs em 2016. No presente álbum Do amor não vai sobrar ninguém, gravado com produção musical de Rafael Ramos, Miklos é o único criador das 12 músicas que compõem o repertório inteiramente inédito, gerado em tempos pandêmicos.

Diante desse contexto, é justo reconhecer e aplaudir o bom nível da solitária safra autoral de Miklos, artista que transcendeu o universo musical a partir dos anos 2000, tendo se estabelecido também como (elogiado) ator de cinema e séries de TV.

Canção que anunciou a existência do álbum ao ser lançada em single em 13 de maio, É assim que eu sei deu a pista certeira do tom afetuoso do disco.

Dentro desse universo de canções movidas pelo amor terno, a balada Ao teu lado se impõe como a música mais apaixonante da safra, sendo seguida de perto por Um misto de todas as coisas, canção que celebra o amor resistente ao desgaste do cotidiano. Terceira das 12 músicas na disposição do repertório no álbum, Todo esse querer expõe a fluência pop obtida pelo toque da banda arregimentada para o disco.

Ao longo das 12 faixas, ouve-se os toques dos músicos Diogo Gomes (trompete), Felipe Pacheco Ventura (violino, viola e arranjo de cordas), Gilberto Pereira (saxofone), Loco Sosa (bateria e percussões), Marcus Ribeiro (violoncelo), Marlon Sette (trombone e arranjo de metais), Martin Mendonça (guitarra e violões), Pedro Pelotas (piano, Rhodes, Wurlitzer, Hammond, clavinet, Moog e outros synths) e Reginaldo Lincoln (baixo).

Os metais sopram o suingue pop que embala Sabotage está aqui, tributo aliciante de Miklos ao rapper paulistano Mauro Mateus dos Santos (1973 – 2003), o já mítico Sabotage, assassinado há 19 anos. Bem-vindo ponto fora da curva na arquitetura do disco, Sabotage está aqui veicula amor de forma política, conclamando o ouvinte a lutar pelo futuro.

Na sequência do disco, Um sopro retoma o tema central do disco – a comunhão do amor a dois – sem perda da fluência pop. Sem se afastar do tema central do álbum, O que ela quer cai em suingue pop tropical latino.

Alocada entre Mansa e Uma conversa (cuja letra defende a necessidade de saber ouvir o outro), canções menos sedutoras no conjunto da obra mas também afinadas com o conceito do disco, a balada-título Do amor não vai sobrar ninguém se impõe como outro ponto alto deste álbum que flerta com o balanço do samba-rock em Por que censurar o amor? e termina com sopro de esperança em Se o amor ainda existir.

“Não sou de blefar quando canto”, avisa Miklos em verso da derradeira música de álbum que, tivesse duas ou três faixas a menos, bisaria a perfeição pop do anterior A gente mora no agora.

Ainda assim, Do amor não vai sobrar ninguém é disco vigoroso, sem blefes, e mostra que, aos 40 anos de carreira, Paulo Miklos ainda está em movimento no universo pop brasileiro, vivendo do hoje, e tendo o que dizer no tempo presente, sem se escorar nas glórias do passado como um cover de si mesmo.



 

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